Num artigo publicado no Público, Isabel Stilwell relata a indignação que sentiu ao ser informada de que não poderia entrar na Sé Catedral de Silves com os ombros e os joelhos descobertos. A partir desse episódio, constrói uma acusação ampla contra aquilo a que chama «a ala mais conservadora da Igreja Católica», chegando a estabelecer uma proximidade ideológica entre essa parte da Igreja e o radicalismo islâmico. A comparação é desproporcionada, injusta e intelectualmente frágil. Pedir uma determinada forma de apresentação num templo católico não equivale a impor o véu integral, a restringir a liberdade das mulheres ou a defender um modelo teocrático de sociedade. Entre solicitar que alguém cubra os ombros para entrar numa igreja e obrigar uma mulher a ocultar o rosto em todos os espaços públicos existe uma distância tão evidente que só um artigo sensacionalista poderia fingir não a reconhecer.
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