O Cristianismo tem uma história de 2000 anos, marcado por um ritmo que continua, hoje, a definir quem somos: o domingo. Se é verdade que é um dia de descanso (dies hominis - dia do homem), o Domingo não é só isso e muito menos uma obrigação a "despachar" antes que a semana recomece. É, na expressão que já os primeiros cristãos usavam, o "dies Domini", o dia que pertence ao Senhor porque n'Ele Cristo ressuscitou (cf. Ap 1,10). Diante disto, o que estamos realmente a celebrar quando vamos à missa de domingo (e até mesmo aos chamados "dias santos")? E porque é que a Igreja, ao longo dos séculos, foi tão cuidadosa a regular como e quando esse dia se vive?
15/08/26
14/08/26
Bento XVI no Bundestag: Direito, Razão e Dignidade Humana
Hoje revisitei o discurso de Bento XVI no Bundestag alemão. Quem me conhece sabe que nunca escondi o carinho que tive por este homem de Deus. Mas compreendo que a densidade dos seus escritos não era (e não é) compatível com as vidas aceleradas que o ser humano hoje leva. Acho que é por isso (porque não vejo outro motivo) que tantas vezes escuto: “do Bento XVI eu não gostava muito”. É que não há tempo para nada… e para compreender Bento XVI, é preciso tempo…
24/07/26
O direito de entrar e o dever de respeitar
Num artigo publicado no Público, Isabel Stilwell relata a indignação que sentiu ao ser informada de que não poderia entrar na Sé Catedral de Silves com os ombros e os joelhos descobertos. A partir desse episódio, constrói uma acusação ampla contra aquilo a que chama «a ala mais conservadora da Igreja Católica», chegando a estabelecer uma proximidade ideológica entre essa parte da Igreja e o radicalismo islâmico. A comparação é desproporcionada, injusta e intelectualmente frágil. Pedir uma determinada forma de apresentação num templo católico não equivale a impor o véu integral, a restringir a liberdade das mulheres ou a defender um modelo teocrático de sociedade. Entre solicitar que alguém cubra os ombros para entrar numa igreja e obrigar uma mulher a ocultar o rosto em todos os espaços públicos existe uma distância tão evidente que só um artigo sensacionalista poderia fingir não a reconhecer.
24/06/26
Reformar a Igreja ou deixar-se reformar?
Sempre que um sacerdote abandona o ministério, surgem especialistas na análise do fenómeno. é possível que eu seja apenas mais um. Durante muitos anos, quase todos assumiam que a razão seria o desejo de casar. É verdade que essa continua a ser uma realidade em alguns casos, mas já não explica a maioria das situações. Hoje, escutam-se outras palavras: falta de liberdade, desgaste, sufoco, excesso de burocracia, incompreensão, dificuldades no relacionamento com os superiores ou simplesmente a sensação de que já não é possível viver o ministério com alegria.
22/06/26
Já não tememos Deus e, por isso, temos medo de tudo
08/06/26
Entre a memória das feridas e o reconhecimento do bem
Acabei de ler a mensagem que o Rei de Espanha dirigiu ao Papa Leão. Confesso alguma inveja, não da monarquia, nem sequer da visita, mas inveja da capacidade de um chefe de Estado reconhecer publicamente aquilo que tantos parecem incapazes de admitir: o imenso bem que a Igreja fez e continua a fazer.
29/05/26
Nem xenofobia nem ingenuidade: pensar a imigração em Portugal
Parece que Portugal vai vivendo por ciclos históricos resumidos em três palavras. Como recordou J. Sardica na sua intervenção igreja de São Nicolau em Lisboa, houve os três "D" dos anos 70: descolonização, democratização e desenvolvimento. Vieram depois os três "C" dos anos 80 e 90: casa, comida e consumo. Mais tarde apareceram os três novos "D" dos anos 2000 e 2010: défice, dívida e desemprego. Agora entrámos nos três "I": imigração, integração e identidade.
-
Sempre que se aproximam eleições presidenciais, regressa a mesma tentação. Uns esperam que a Igreja indique caminhos concretos, quase como u...
-
1️⃣ Já se passaram alguns dias desde o regresso do Papa Francisco à Casa do Pai. Penso que todos acreditamos que a morte de um Papa marca um...
-
O Cristianismo tem uma história de 2000 anos, marcado por um ritmo que continua, hoje, a definir quem somos: o domingo. Se é verdade que é u...