Sempre que um sacerdote abandona o ministério, surgem especialistas na análise do fenómeno. é possível que eu seja apenas mais um. Durante muitos anos, quase todos assumiam que a razão seria o desejo de casar. É verdade que essa continua a ser uma realidade em alguns casos, mas já não explica a maioria das situações. Hoje, escutam-se outras palavras: falta de liberdade, desgaste, sufoco, excesso de burocracia, incompreensão, dificuldades no relacionamento com os superiores ou simplesmente a sensação de que já não é possível viver o ministério com alegria.
24/06/26
22/06/26
Já não tememos Deus e, por isso, temos medo de tudo
08/06/26
Entre a memória das feridas e o reconhecimento do bem
Acabei de ler a mensagem que o Rei de Espanha dirigiu ao Papa Leão. Confesso alguma inveja, não da monarquia, nem sequer da visita, mas inveja da capacidade de um chefe de Estado reconhecer publicamente aquilo que tantos parecem incapazes de admitir: o imenso bem que a Igreja fez e continua a fazer.
29/05/26
Nem xenofobia nem ingenuidade: pensar a imigração em Portugal
Parece que Portugal vai vivendo por ciclos históricos resumidos em três palavras. Como recordou J. Sardica na sua intervenção igreja de São Nicolau em Lisboa, houve os três "D" dos anos 70: descolonização, democratização e desenvolvimento. Vieram depois os três "C" dos anos 80 e 90: casa, comida e consumo. Mais tarde apareceram os três novos "D" dos anos 2000 e 2010: défice, dívida e desemprego. Agora entrámos nos três "I": imigração, integração e identidade.
26/05/26
Padres em burnout: uma crise silenciosa
O burnout sacerdotal existe e está longe de ser um fenómeno raro. Em Portugal, os padres são cada vez menos, mas as solicitações pastorais, humanas e administrativas continuam a aumentar como uma consequência natural daquela escassez. Muitos vivem permanentemente entre missas, funerais, reuniões, obras, conflitos, pedidos urgentes e expectativas contraditórias. Há padres cansados. Muito cansados. E alguns chegam a um ponto de esgotamento interior que já não é apenas cansaço normal a que se possa simplesmente dizer: "tira uns dias para ti".
22/05/26
Os direitos humanos são usados de forma ideológica?
Há uma forma de indignação política que já não procura defender a dignidade humana, mas apenas confirmar a própria ideologia. É uma indignação que vê com clareza absoluta os crimes de uns, mas torna-se estranhamente muda diante dos crimes de outros. É por isso que me causa perplexidade ouvir certos setores políticos exigirem que Portugal corte relações com Israel, apresentado como “Estado genocida”, enquanto mantêm um silêncio quase absoluto sobre regimes onde a repressão, a tortura, a perseguição religiosa, a violência contra mulheres, a censura e a eliminação da oposição são práticas estruturais.
25/04/26
A Igreja Católica, o socialismo e o comunismo: algumas clarificações necessárias
Falar da relação entre a Igreja Católica e o socialismo ou o comunismo nem sempre é fácil, já que as palavras são frequentemente usadas com significados diferentes e, muitas vezes, carregadas de forte conteúdo emocional. Palavras como «esquerda», «direita», «socialismo», «capitalismo», «marxismo» ou «justiça social» são utilizados no debate público de formas tão variadas que facilmente se geram confusões. Por isso, antes de mais, importa recordar que a Igreja não se identifica com qualquer partido político nem com qualquer sistema ideológico. A sua missão não é propor um programa partidário, mas anunciar o Evangelho, formar as consciências e iluminar a vida social à luz da fé.
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