O Devido louvor….
Há oito dias atrás, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade em Loulé, iniciávamos a celebração do maior milagre da minha vida cantando: «Altíssimo, omnipotente e bom Senhor. A Ti, toda a honra e toda a glória, a Ti o louvor». Hoje, neste dia tão significativo para mim, o cântico inicial era um imperativo para a Deus, e somente a Deus, darmos louvor, honra e glória. Repetem-se, em ambos os cânticos, aquela que sempre deverá ser a nossa atitude perante Deus: louvor, honra e glória.
Ao longo desta minha primeira semana como sacerdote tenho insistido muito, com todos, para que seja Deus o único destinatário desta atitude. Para mim, nunca procurarei louvores, honras e glórias. E se até hoje alguma vez procurei isto para mim, meus irmãos, perdoai-me e permiti que recomece dando toda a primazia, durante o meu ministério, a Deus.
E experiência de Jesus
Hoje, a partir das leituras propostas para este Domingo, julguei que também a minha Homilia estaria condenada ao fracasso. Também Jesus, um dia, subiu à sua terra, para falar aos seus conterrâneos e familiares, e todos ficaram admirados com aquilo que Jesus dizia e fazia. Do mesmo modo, comigo há, hoje e sempre, este perigo, de olhardes para mim e dizer: «o que é que este está a dizer? Não o conhecemos? Não é ele o filho do Chico e da Odete? Não o vimos crescer entre nós nesta aldeia? Não conhecemos os seus irmãos? De onde lhe vem a autoridade para nos falar assim sobre a Palavra de Deus?». Queridos irmãos, permiti que seja o Espírito Santo a falar em mim e procurai acolher a mensagem que vos quero dirigir, ainda que não o faça da melhor forma.
Jesus estava admirado pela falta de fé daquela gente, escutávamos no Evangelho. E a que se deve esta falta de fé? Deve-se à incapacidade de acreditarem que Deus se pode fazer tão humano ao ponto de agir numa carne semelhante à nossa. Este é um perigo que pode atingir de uma forma marcante as nossas vidas. Queremos, e é normal que assim seja, acreditar num Deus de tal modo superior a nós que até lhe negamos a sua proximidade. Construímos a nossa fé baseados num Deus de tal modo superior que se torna distante, frio e despreocupado com o mundo.
Confortam-me as Palavras de Paulo pois terá sentido o mesmo que agora eu sinto. Também eu afirmo, como Paulo, que «foi-me deixado um espinho na carne, – um anjo de Satanás que me esbofeteia – para que não me orgulhe.». E ressoa em mim, como palavras de conforto, a certeza de que me basta a graça de Deus para exercer o meu ministério, pois é na minha fraqueza que se manifesta todo o poder do Senhor Jesus. Assim consigo descansar, rezar, e dar todo o louvor, honra e glória ao Senhor.
E se Deus me pede isto a mim, o que pedirá a vós? Hoje esta aldeia está em festa. Deixai-me dizer: a festa não é só por ter surgido um primeiro sacerdote desta Terra. O motivo primeiro desta festa é o da gratidão por Cristo não faltar às suas promessas. Não nos abandona e continua a enviar operários para o seu Reino. Por isso meus irmãos, agradeçamos ao Senhor porque foi possível, desta aldeia, surgir uma luz para iluminar tantos corações que vivem nas trevas, por mais que essa luz que surgiu, eu, padre Nelson, viva com o mesmo espinho cravado na carne de que São Paulo falava.
Peço que, agora, não descanseis. Continuai este trabalho recompensador de ser Igreja ao máximo. Quero que a Paróquia da Conceição de Faro seja um oásis na nossa Diocese. Que aqui se respire fraternidade, unidade, comunhão, reconciliação e tantos outros sentimentos próprios dos cristãos que o são à maneira de Cristo. Desejo que sejais uma comunidade missionária, pronta a ir por todos os lugares desta freguesia para falar de Jesus: do Chelote a Bela Salema; da Torre de Natal à Chaveca; passando por cada lugar com ardor e fervor, falando de Cristo. Tenho a certeza, como nos referia o Papa Francisco na sua última Exortação Pós-Sinodal que de uma comunidade que vive à maneira do Evangelho, surgem vocações: sejam elas sacerdotais, sejam matrimoniais ou de especial consagração. Não descansem, neste trabalho. Digo-o a vós, meus irmãos conterrâneos e a todos os que nos visitam: formemos autênticas comunidades de Jesus, apesar do espinho do pecado que cada um trás cravado nas suas vidas. É connosco que Deus conta, e não com seres perfeitos que não existem.
O convite aos jovens
Permitam-me que me dirija a cada adolescente e jovem que hoje se encontra aqui. Sou padre! Não sou menos homem por isso. Considero-me tanto mais homem quanto mais respondo afirmativamente aos pedidos que Deus me faz. Senti que este era o caminho… avancei. Porquê ter medo? Porquê ter vergonha? Porquê esconder que a minha vida não tem de ser igual à de tantos amigos meus? Importa que nos entreguemos de alma e coração àquilo que é a vontade de Deus.
Agora, tendes o direito de me perguntar: Padre Nelson, como descobrir a vontade de Deus? Meus estimados amigos, as primeiras respostas não estão em livros, internet ou fenómenos extraordinários. Permiti que o vosso dia-a-dia fale ao vosso coração.
Gratidão a Jesus
Por fim, hoje seria o dia de agradecer a tantas pessoas que foram, para mim, instrumentos de Deus. Perdoai-me, meus irmãos, pois não o irei fazer. Hoje a minha gratidão é apenas a Jesus e acredito que Ele agradecerá, a seu jeito, a quem se dispôs a colaborar neste projeto. Em meu coração recordo a família, amigos, colegas, formadores, benfeitores, diáconos, sacerdotes, paróquias, movimentos… tantas pessoas; cada uma com o seu nome; com a sua história…. A todos entrego a Jesus para que vos recompense pelo bem que me fizestes. Foram 10 anos bonitos. Eis-me aqui, agora, para servir. Depois da minha Ordenação Sacerdotal, aguardo agora o meu encontro definitivo com o Senhor, quando Ele assim entender. Até esse dia chegar, ocupar-me-ei a falar d’Ele a todos.