Neste ano em que celebro as bodas de prata do meu batismo, recebido nesta igreja Matriz de Faro, eu próprio o quero batizar com o nome de Salvador. Esta minha definição de Deus que hoje partilho convosco não é fruto de reflexões contidas nos manuais. Olho para Deus e chamou-o de Salvador porque esta História de amizade, sem dúvida, foi uma história de salvação, que continua a ser escrita.
Louvo o Senhor pelas grandes maravilhas que tem realizado na minha vida, mas louvo-o também pelos pequenos nadas em que, do mesmo modo, se quis fazer presente. Com toda a convicção o chamo de salvador, porque trago à memória as inúmeras noites escuras pelas quais passei e das quais o Senhor me libertou.
É por este motivo que compreendo o que terá sentido Pedro, naquela noite de prisão, depois de uma vida também ela construída com Jesus; naquela noite quando se aproximava da morte. Mas também compreendo o que terá sentido Pedro quando o Senhor enviou o seu mensageiro e o libertou; e o salvou. Fazer uma leitura da nossa história de amizade com Deus é essencial, e mais agora em que dei este passo tão importante para mim e para a dilatação do Reino de Deus.
Hoje louvo o Senhor pelos inúmeros mensageiros que me foi trazendo à minha vida. Agradeço por me ter ajudado a enfrentar as noites da minha história e por me ter, sempre, restituído à luz. E estou certo que assim continuarei a viver, suportando as noites com total abandono em Jesus Cristo, e agradecido pela libertação que o Senhor continuará a operar por mim.
E como posso agradecer tantas maravilhas e graças recebidas? Hoje penso que só o poderei fazer pela fidelidade ao meu ministério. O Senhor não me pede outra coisa. Sempre me pediu esta fidelidade, desde o meu batismo, e hoje continua a pedi-lo, com tudo o que é próprio desta vocação.
O Senhor bem sabe com o que conta, pois durante a minha vida, esta fidelidade foi tantas vezes ameaçada pela minha fragilidade. Ainda assim Ele escolheu-me. Importa, a partir de hoje, não perder o horizonte desta história, porque uma história de amizade não pode ter outro desfecho que não seja a felicidade e o repouso em Deus. Se nunca me esquecer deste horizonte, poderei manter-me fiel à missão que ontem a Igreja me confiou.
Proponho que neste dia tão significativo para mim, cada um de vós ouse batizar o Deus da sua história. Acreditai que qualquer amizade que não é cuidado, alimentada e revista é quase como que uma amizade virtual: está lá o nome, mas não existe a pessoa. Afinal: quem é Deus para ti? Quem é verdadeiramente o Deus da minha vida? Como o tenho sentido nas noites da minha existência? Quem são os mensageiros que identifico como enviados de Deus para me restituir à luz? Por tudo isto, agradeçamos ao Senhor.
Por fim, peço que rezeis por mim. Estou consciente da fragilidade com que me proponho a responder a esta vocação. Mas nem por isso pretendo fazer um programa de vida de mínimos; muito menos quererei viver na ilusão de poder tudo. Antes, procurarei alicerçar o meu ministério na verdade: na verdade do que sou e na verdade que é Jesus Cristo. Precisarei da vossa oração para que, durante a minha vida, os erros não me atrofiem e as glórias não ocultem a presença de Deus, verdadeiro Rei da glória. É a Ele que quero dar a conhecer, e não a mim. É para Ele que peço honra, glória e louvor.
Também vós podeis contar com a minha oração diária, particularmente sempre que eu Presidir ao Sacrifício Eucarístico, onde procurarei sempre ter presente as intenções do mundo, da Igreja e de todos.