09/05/25

Obrigado, Papa Francisco

1️⃣ Já se passaram alguns dias desde o regresso do Papa Francisco à Casa do Pai. Penso que todos acreditamos que a morte de um Papa marca um momento profundo na vida da Igreja. Naturalmente, somos invadidos - estranho seria se assim não fosse - por sentimentos de tristeza e gratidão: tristeza pela perda de um homem que procurou, ao seu jeito, com simplicidade e coragem ser sinal do amor de Cristo por todos; gratidão porque, apesar das suas fragilidades e limites, Francisco serviu a Igreja com a generosidade de quem se sabe servo e não senhor. Fê-lo de um modo que qualifico de “coerente”, porque independentemente da sua visão de Igreja, era um homem de oração, que amou Cristo e O quis apresentar a todos, servindo-O nos mais frágeis.

30/03/24

O silêncio do Sábado Santo e a vitória da Páscoa

Esta noite pascal está totalmente orientada para a Páscoa de Jesus Cristo e para os Sacramentos da Iniciação Cristã. Foi à luz do Círio Pascal que todos nós escutámos a história da nossa salvação, como luz de Deus para todos os homens. Mas, antes de nos determos nesta história de luz crescente que Deus foi escrevendo com o seu povo e connosco, vamos recuar um pouco e olhar ainda para as trevas. Não queria iniciar a minha partilha sem uma referência ao dia que hoje vivemos. O Sábado Santo é o dia em que contemplamos Jesus depositado no sepulcro.

26/02/24

O que vem depois da morte? O cristão não vive de vazio

Há perguntas que a cultura tenta empurrar para o canto, como se fossem má educação. A morte é uma delas. Fala-se dela quando acontece, e depois muda-se de assunto. Só que a morte não muda de assunto. Ela fica. E obriga-nos a olhar de frente para aquilo que realmente acreditamos. A teologia chama escatologia ao que vem depois. Os “novíssimos”. Não como curiosidade mórbida, mas como realismo cristão. Porque a fé cristã não é um projeto de bem-estar. É um caminho para a vida eterna.

23/02/22

Pobreza na Igreja – Missão social

A dada altura chegou-me aos ouvidos a seguinte ideia: a Igreja não se deve desprender totalmente dos bens temporais pois, caso isso aconteça, ela já não poderia exercer a sua missão na ajuda aos mais necessitados. ??? Isto vêm me recordar várias questões sobre as quais eu já tinha reflectido. O que acham da afirmação??? Eu não concordo. A missão sócio-caritativa aparece como um convite porque existem bens temporais. Assim, a Igreja possuindo esses bens, é convidada a desprender-se do que tem e partilhá-lo com quem necessita.

15/06/21

Quando a vida pesa: o que fazemos quando já não sabemos o que fazer

Há momentos em que a vida deixa de caber nos slogans fáceis. A proximidade da morte, o sofrimento prolongado, a fragilidade extrema colocam perguntas que ninguém escolhe fazer, mas que acabam sempre por chegar. Nesses momentos, o debate sobre aborto, eutanásia ou fim de vida deixa de ser teórico e passa a ser brutalmente concreto.

06/05/21

Trabalho, vida e tempo: quando o equilíbrio deixa de ser um luxo

Uma das frases que mais escuto é simples e inquietante: não tenho tempo. Não é dita por pessoas desocupadas, mas por pessoas cansadas. E quase sempre revela algo mais fundo do que uma agenda cheia. Revela um desequilíbrio.

20/01/21

A montra, a loja e os fundos

Já tivemos a experiência de passar várias vezes em frente a uma montra, seja ela qual for. Na montagem da montra há sempre uma preocupação: atrair clientes. Por isso nem tudo pode ir para a montra. Se em pleno verão a montra apresenta casacos de pele, eu passo à frente. Mas se na montra seguinte estão uns bonitos cações de banho ou umas boas toalhas de praia, eu detenho-me. Na montra não colocamos qualquer coisa; na montra procuramos renovação; na montra limpamos com maior regularidade.